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Uma das mais recentes experiências de campo do Laboratório do Núcleo de Antropologia Urbana (LabNAU/USP), realizada por integrantes de um de seus coletivos de pesquisa, o Grupo de Etnologia Urbana (GEU), na Amazônia -mais precisamente em Manaus e em alguns municípios vizinhos -levantou a necessidade de revisar as categorias pedaço, mancha, trajeto, pórtico e circuito, habitualmente empregadas por pesquisadores do Núcleo. 2Nessa expedição, em contato com membros do povo Sateré-Mawé e suas "aldeias urbanas" 1 , de início a noção de circuito aparecia como a mais adequada para descrever a forma como se inserem na cidade.Esta escolha permitiu uma primeira identificação e entendimento do seu sistema de residências no contexto urbano e logo a percepção da intensa movimentação -os trajetos -entre elas e no espaço mais amplo da cidade.De imediato, porém, percebeu-se a necessidade de repensar o uso costumeiro dessas categorias, uma vez que o contexto original de sua aplicação tinha sido a cidade de São Paulo -por certo de história, características e escala muito diferentes das de Manaus e de outras cidades amazônicas.3 E, o que é mais importante, as pessoas com as quais se estava travando esse contato não eram os habitantes da cidade, em geral, nem os moradores de periferia -como, aliás, havia sido quando da elaboração da primeira categoria da "família", o pedaço -mas um segmento muito especial: os índios.Os integrantes do GEU, nessa sua primeira incursão pela Amazônia, foram recebidos pelos Sateré-Mawé e convidados por alguns deles a visitar uma de suas comunidades no bairro da Redenção, zona oeste da capital manauara. 4Estávamos, desta forma, entrando em contato com "índios urbanos", uma das expressões usadas em determinada literatura para designar a presença indígena nas cidades e as precárias condições de vida, trabalho e sobrevivência a que são submetidos, na periferia dos centros urbanos, como quaisquer outros moradores de baixa renda.O Circuito: proposta de delimitação da categoria Ponto Urbe, 15 | 2014 1 5Nessa pesquisa, contudo, o GEU estava interessado em encarar o fenômeno sob outro prisma, buscando elementos de reflexão em campos que, apesar de histórica e teoricamente separados, a Etnologia Indígena e a Antropologia Urbana, poderiam contribuir para fundamentar uma perspectiva inovadora. 6Assim, em vez de circunscrever a presença indígena no contexto habitual do processo de periferização urbana, analisar sua instável inserção no mercado de trabalho, seu confinamento em regiões de risco e carente de serviços e equipamentos básicos, optou-se por outro enfoque, com outras perguntas. 7Buscava-se entender qual era a concepção de cidade desses grupos indígenas e que transformações sua presença acarretava na própria dinâmica urbana: como estabelecem, aí, seus vínculos, estratégias e alianças?Quais são seus trajetos no tecido urbano e que instituições acionam na busca de manutenção de um modo de vida diferenciado?8 Antes, porém, de mostrar os alcances (e limites) das categorias da etnografia urbana para pensar estas questões e sua adequação -uma vez submetidas a um oportuno processo de revisão -a esse e a outros contextos que não a cidade de São Paulo, convém lembrar as circunstâncias em que foram elaboradas, com base nos recortes habituais das pesquisas desenvolvidas no NAU, ao longo de sua trajetória.
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