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Esta tese busca construir interpretacoes para as representacoes dos professores e lideres do povo Tapirape, que vive no Mato Grosso, a respeito de sua escola e sobre as linguas, Tapirape e portuguesa, faladas na aldeia. A escola Tapirape tem sido considerada uma escola bilingue de sucesso (cf. Ferreira, 2000/2001) uma vez que tem conseguido ensinar tanto a lingua indigena como a lingua portuguesa e uma vez que obedece a alguns principios que vem sendo apontados como essenciais na construcao de uma escola indigena (cf. RCNEI, 1998) quais sejam: o curriculo considera a realidade e a cultura indigena; a lingua de instrucao e a lingua Tapirape; os professores e demais funcionarios da escola sao Tapirape; ha participacao efetiva da comunidade nos assuntos referentes a escola. Entretanto, apesar dessas caracteristicas, os Tapirape tem argumentado que a sua escola tem mudado o modo de vida Tapirape e isto inclui tanto aspectos da vida diaria Tapirape como tambem a lingua Tapirape e a educacao indigena. Com o intuito de compreender esses questionamentos e contribuir na discussao, norteia este trabalho a seguinte pergunta de pesquisa: Que representacoes sao construidas pelos Tapirape sobre: a) as linguas Tapirape e portuguesa faladas na aldeia? b) a escola?. Os registros analisados foram gerados etnograficamente (Erickson, 1984, 1989; Cavalcanti, 2000; Mason, 1997; Emerson e outros, 1995; Ely e outros, 1991) e o corpus investigado e composto de entrevistas - foco principal da analise - com liderancas e professores Tapirape, diarios e notas de campo, memos e vinhetas narrativas. Embasam a analise os conceitos de representacoes, hibridismo e a relacao dos mesmos com culturas(s), lingua(gem) e identidades. Tais conceitos sao discutidos a partir de aportes dos Estudos Culturais (Said, 1978/2007; Hall, 1997; 1997a; Bhabha, 1994/2003; Woodward, 2000; Da Silva, 2000), da Antropologia (Tassinari, 1995/1998; Thomaz, 1995/1998), da Sociologia (Cuche, 1999/2002; De Certeau, 1994/2002) e da Linguistica Aplicada (Cavalcanti, M. 1986; 1999; 2000; 2004; 2006; Cesar e Cavalcanti, 2007; Fabricio, 2006; Maher, 1996; 2006; 2007; Moita Lopes, 1996/2002; 2006), dentre outros. Observa-se que a construcao de significados para a escola e as linguas portuguesa e Tapirape enseja representacoes e identidades antagonicas. Compreender tais contradicoes como parte desse processo de construcao abre brechas a que representacoes e identidades cristalizadas sejam desestabilizadas, possibilitando construir novos significados tanto para a escola bem como para as linguas Tapirape e portuguesa. Espera-se que os resultados da analise possam subsidiar reflexoes feitas em contextos de formacao de professores indigenas sobre escola e ensino de linguas nas aldeias Abstract
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