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A Geografia, que hoje procura novas alternativas para formas de apreensao do espaco, muito tem a ganhar atraves da incorporacao critica de discursos como o da literatura, os quais podem servir como recurso de renovacao metodologica para o ensino desta disciplina. Nesse sentido, o presente texto pretende ser uma contribuicao no sentido de encaminhar algumas questoes que envolvem o real tal como representado no romance brasileiro. Cabe salientar dois pontos que servirao de ponto de partida para nossas reflexoes teoricas sobre a representacao do espaco geografico na literatura, especialmente no genero romance. Primeiro: atraves do romance, uma forma especifica de representacao do espaco geografico se coloca, de acordo com a otica e as vivencias do autor. Segundo: o que o leitor do romance apreende ja e uma outra forma de representacao do espaco geografico, que resulta da interacao entre a imagem espacial herdada pelo leitor, segundo suas vivencias e informacoes, e o que e representado pelo autor. O real nao constitui um universo material imutavel, de imediata decodificacao pela sociedade. A existencia de inumeras mediacoes sociais reforca, assim, a necessidade de se tecer algumas consideracoes iniciais quanto ao tema da representacao do real. A representacao pode ser considerada a imagem do mundo em que cada aspecto do real passa a ser expresso simbolicamente. Representar seria a construcao que os individuos fazem na apropriacao dos objetos. Adotase, para tal, a posicao de Ferrara (1986), para quem:
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