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Tradicionalmente, a Psicologia tem sido definida em consonância com os princípios de um “realismo euro-americano” (LAW, 2003 e 2004) segundo o qual há uma realidade independente, externa e precedente a qualquer tentativa de conhecê-la. Tomada como a ciência do individuo, da vida privada e da nossa subjetividade, a Psicologia ocupou o lugar do especialista que porta ou desvela a Verdade dos sujeitos. Entretanto, a intervenção nos coloca diante do fato de que, bem distante da já pretendida neutralidade, nossas práticas clínicas, bem como nossas políticas de pesquisa e de escrita, são vetores que produzem realidades e podem tanto fazer proliferar a polifonia de que o mundo é feito, quanto calar muitas vozes em nome da ciência. Propomos, no âmbito deste trabalho, problematizar a verdade e o saber como efeito de relações de poder e, assim, afirmar que conhecer e intervir são dois aspectos indissociáveis. Nesse sentido, toda pesquisa também é intervenção, tornando inseparáveis o conhecer e o fazer.
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