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Entre a geografia e a ética: a paisagem e a questão do bem-estar 1Jean-Marc Besse P artirei de uma observação banal: não consideramos sempre as paisagens sob o mesmo ângulo, nem a partir do mesmo ponto de vista.Podemos vê-las do alto, como um pássaro, ou a partir do topo de uma montanha, numa espécie de afastamento e de obliquidade sintética, ou as olhamos a partir delas mesmas, ou seja, de seu interior, e vemos as coisas, por assim dizer, por seu contorno, pelos lados, e nunca realmente de maneira completa.Essas duas maneiras de ver, a visão vertical, assim como a visão lateral, a síntese e o movimento, fazem parte, ambas, da nossa relação com a paisagem.E geralmente nossa relação visual com a paisagem divide-se em uma ampla gama de olhares, ângulos e pontos de vista que não são sempre compatíveis, mesmo que coexistam.Mas o que me interessa, sobretudo, é que estes olhares diferentes inspiram situações espaciais diferentes, e implementam regimes de espacialidades diferentes.Há, por assim dizer, uma espacialidade do vertical ou do oblíquo, uma espacialidade do distante e do projetado, e uma espacialidade do próximo, uma espacialidade lateral, que naturalmente coexistem, ou até mesmo fundem-se, a maior parte do tempo, nas experiências que fazemos do nosso meio.Mas não é sempre o caso.Esta questão da diversidade dos regimes de espacialidade poderia ser retomada ou estendida sobre outro registro, mais geral, que
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