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Entrevista com Samuel Pfromm NettoSamuel Pfromm Netto tem 67 anos de idade.Nasceu em Piracicaba a 3 de março de 1932, em uma família com ascendentes maternos luso-brasileiros católicos e paternos luteranos alemães.Formou-se pela USP em Pedagogia (1959) e tem mestrado e doutorado em Psicologia pela mesma universidade.Fez estudos de pós-doutorado nos EUA, na Inglaterra, na França, na Alemanha e no Japão.Chefiou missões culturais a este último país e à China, tendo proferido conferência em ambos.Sua produção bibliográfica compreende mais de quarenta livros, como Telas que ensinam (1998), Psicologia: introdução e guia de estudo (1990, 23 ed.), Psicologia da aprendizagem e do ensino (1987), Tecnologia da educação e comunicação de massa (1977),Comunicação de massa (1972), Psicologia da adolescência (sete edições) e mais de uma centena de estudos e pesquisas publicados em revistas especializadas do país e do exterior.Atuou em várias entidades culturais e ligadas à Psicologia, lecionou por muitos anos na USP e presentemente professor titular da PUC-Campinas, nos cursos de doutorado mestrado (Psicologia Escolar).Preside a Academia Cristã de Letras, é vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e atua como coordenador geral do programa de educação à distância do CIANET em São Paulo.É casado e tem uma filha e um neto.Seus gostos e preferências incluem a música barroca, a música tradicional brasileira, a literatura de ficção, os clássicos do cinema, bons vinhos e uísques e o Corinthians Paulista.Recebeu duas dezenas de medalhas e diplomas honoríficos do país e do exterior.Entrevistadora: Geraldina Porto Witter Witter -Que variáveis o levaram a optar pela Psicologia como área de atuação?Pfromm Netto -Leciono há meio século.Comecei a dar aulas e publiquei meu primeiro trabalho de pesquisa, sobre crianças e cinema, em 1949.Sou de um tempo em que não havia no Brasil a formação de psicólogos em cursos superiores de graduação.Antes da Lei 4119 de 1962, essa formação se dava somente em cursos pós-graduados como o de especialização, oferecido na USP pela antiga cadeira de Psicologia Educacional, curso com vários anos de duração que foi depois equiparado ao mestrado.Até a década de 60, os psicólogos geralmente se formavam em Pedagogia ou em Filosofia na graduação e prosseguiam seus estudos nos cursos de especialização dados pela USP, PUC e outras Universidades.É bom lembrar que, no caso da Psicologia Educacional, havia uma sólida tradição de ensino, prática e pesquisa em institutos de educação e nas escolas normais de todo o país que, nas primeiras décadas do século, prepararam a maioria das pessoas que passaram a fazer, investigar e ensinar psicologia.Foram pioneiros como Lourenço Filho, Souza Ferraz, Noemy Rudolfer e muitos outros.Foi nesse contexto, como estudante norma lista, que eu conheci a Psicologia e apaixonei-me por ela, uma paixão que já dura mais de meia centena de anos, pois eu me formei como professor primário na Escola Normal de Piracicaba em 1949.Por ocasião dessa experiência como estudante normalista, dois professores me serviram de incentivo e ajuda, sendo em boa parte responsáveis pela paixão a que me referi: José Rodrigues de Arruda, pioneiro nos estudos sobre aprendizagem de idiomas estrangeiros e em testes de inteligência e escolares, autor de um notável compêndio de Psicologia editado pela Saraiva, e Antonio Martins Belmudes de Toledo.Freqüentava as casas de um e outro, ganhei livros de Psicologia de ambos (inclusive uma volumosa obra de Pavlov) e lhes devo boa parte do meu entusiasmo de ontem e de hoje pela Psicologia.Eles despertaram em mim o gosto pelo estudo e pela aplicação da Psicologia no contexto escolar.
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