No open-access location is known for this record yet.
No open-access location is known for this record yet.
Ciclos de tempo e indicadores de tempos na história da Amazônia JÜRGEN HAFFERA natureza da história tem sido encarada, tradicionalmente, como um composto de dois pontos de vista contrários, mas complementares.Em primeiro lugar a historia refere-se a seqüências direcionais de eventos lineares não repetíveis, como por exemplo a formação de uma cadeia de montanhas ou a amplitude da vida de uma pessoa, do nascimento à morte -contingências complexas de séries de eventos ligados através do tempo.Em segundo lugar, as leis da natureza, imanentes e eternas, permitem uma compreensão daqueles aspectos da história que são produtos de ciclos continuamente repetidos.Mares estão em incessante vaivém, florestas expandem-se e se retraem, médias de temperatura e de umidade aumentam e diminuem.O tempo não tem direção.Muitos estudiosos têm empregado as metáforas "indicadores de tempos" e "ciclos de tempo" a esses aspectos complementares, ambos necessários a uma compreensão abrangente da nossa própria história, da história da Terra e de seus animais e vegetais (Gould 1987).Organismos e espécies seguem o indicador de tempo da genealogia ao longo de vias evolucionárias contingentes sem coalescência e seguem o ciclo de tempo quando linhagens de espécies separadas desenvolvem, independentemente, formas similares (análogas) de extremidades ou formas corpóreas para usos similares ou modos de vida baseados em princípios imanentes de função (tais como, por exemplo, formas corpóreas semelhantes de peixes e mamíferos nadadores oceânicos).Examinarei, aqui, diversos aspectos da história da Amazônia e sua biota, aplicando a dicotomia de ciclo do tempo e indicador de tempo.Argumento, em particular, que a hierarquia dos ciclos ambientais perpétuos caracteriza a natureza da Amazônia, a partir de ciclos de curto prazo de queda de árvores e ciclos fluviais até ciclos paleoclimáticos de longo prazo.Esses ciclos contribuem para a heterogeneidade ambiental necessária para a manutenção da elevada diversidade de espécies da Amazônia.Além disso, os ciclos paleoclimáticos funcionaram como efi-ciente "máquina de especiação" ou "bomba de espécies" durante o curso da história geológica.Acompanhando a seta indicadora de evolução através do tempo, esses últimos ciclos ajudam a explicar a origem da riqueza em espécies na Amazônia.Quando examino a fauna amazônica,não tenho em mente apenas insetos e outros grupos de invertebrados mas, principalmente, vertebrados como mamíferos, pássaros, répteis e anfíbios. Ciclos de TempoOs ecólogos estudam cada vez mais as combinações hierárquicas distintivas dos ciclos de perturbação ambiental, respostas bióticas e padrões de vegetação em relação a micro, macro e megaescalas (Delcourt et al. 1983,Urban et al. 1987, Di Castri & Hadley 1988, Pickett et al. 1989).Paisagens são mosaicos gerados por processos de perturbação que variam em escala, extensão, intervalo e intensidade de recorrência (Fig. 1).Processos bióticos também variam, de pequena escala, como o crescimento de um indivíduo animal ou vegetal até a reorganização de grupos de espécies.Fatores limitantes podem estar relacionados a condições do solo e regimes climáticos.Ciclos diários de claro e escuro, bem como ciclos anuais de estações secas a úmidas conduzindo, por exemplo, à elevação e abaixamento cíclicos do nível dos rios são eventos de alta freqüência e, como tais, parte dos ambientes abióticos de animais e vegetais.Ciclos de perturbação afetando a vegetação da floresta pluvial compreendem, no extremo inferior da escala, à dinâmica da fase lacunar devida à queda de árvores ou deslizamentos locais, a níveis intermediários de dinâmica fluvial e, no extremo superior da escala, a ciclos climático-vegetacionais de baixa freqüência e ciclos tectônicos afetando a cobertura vegetal e os padrões de distribuição de animais numa escala regional (Haffer 1991).A duração do ciclo a cada nível nessa hierarquia varia, e ciclos individuais não são, necessariamente, de mesma duração.Cada processo em níveis superiores nessa hierarquia de perturbação sobrepõe-se a vários processos de níveis inferiores: a dinâmica da fase lacunar ocorre dentro de uma região florestada afetada pela dinâmica fluvial; a própria região geral pode estar sujeita a efeitos climáticos.As dinâmicas paleoclimática e tectônica conduzem a mudanças na distribuição de vários tipos de vegetação de floresta e não-floresta em regiões onde, numa escala geográfica menor, a dinâmica fluvial e a de fase lacunar regeneram continuamente a floresta.Os ciclos de perturbação hierárquica geram mosaicos cujas peças variam de tamanho e novas peças se sobrepõe continuamente às peças existentes.Os processos locais de reposição causados por ciclos de perturbação representam ciclos de regeneração da floresta pluvial de curso livre.Eles são cíclicos no sentido de uma seqüência repetitiva de mudanças. Teoria dos refúgiosEstudos Avançados tem a honra de publicar dois trabalhos de elevada interdisciplinaridade de autoria dos fundadores da chamada "Teoria dos refúgios".Uma rápida explicação sobre eles torna-se necessária.Desde os fins da década de 50, já se conhecia alguns fatos essenciais sobre as flutuações climáticas quaternárias que teriam afetado a dinâmica fitogeográfica do Brasil tropical atlântico.As descobertas fundamentais nessa direção ficam contabilizadas, em termos de história das ciências no País, aos trabalhos de André Cailleux e Jean Tricart.Na década seguinte, trabalhando na Amazônia, Jürgen Haffer dedicou parte de seu tempo a observações sobre os padrões de distribuição de pássaros em diferentes quadrantes da região.E, através da publicação de seu estudo "Speciation in Amazonian forest birds" (1969), detectou anomalias distributivas que somente poderiam ser explicadas por mudanças climáticas, suficientemente amplas para provocar retrações e re-expansões de florestas no espaço total da Amazônia.
Loading…
Stored only when both papers are in the corpus — 19 citations exist upstream.
Papers that cite the same references — the relational fallback while embeddings are still backfilling.
Imported from OpenAlex (CC0) — nothing here is generated.