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Pierre Monbeig: a herança intelectual de um geógrafo AZIZ AB' SÁBER É muito difícil falar de um mestre geógrafo que era admirado e venerado pela grande maioria de seus alunos.Mas seria indigno, para qualquer um de seus discípulos vivos, deixar de registrar a memória que tem de um professor diferenciado que marcou o destino cultural de toda uma geração.Éramos gente, predominantemente, de classe média baixa sofrida e empobrecida.No entanto, tínhamos grande orgulho e satisfação íntima em alterar nosso cotidiano miserável com a alegria indiscutível de assistir às aulas e receber conselhos de uma legião de professores competentes, metódicos e atualizados com as circunstâncias de sua época.Dentre eles, destacava-se Pierre Monbeig, que permaneceu no Brasil, trabalhando na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da recém-criada USP, por onze anos, do fim da década de 30 até a primeira década dos anos 40 (1935)(1936)(1937)(1938)(1939)(1940)(1941)(1942)(1943)(1944)(1945)(1946).Repito: difícil relembrar a figura do bom, seguro e inteligente mestre que adotou o Brasil como sua segunda pátria, até o fim de seus dias.Outros de seus discípulos culturalmente bem-sucedidos tiveram a mesma dificuldade.Caio Prado Júnior, por exemplo, escrevendo um rápido prefácio para um dos últimos livros de Monbeig sobre o Brasil, dizia: "Como amigo de Pierre Monbeig, e amigo de longa data, poderia dar-me por suspeito na apresentação que dele faço -sinto-me, todavia inteiramente à vontade porque não somente o conceito por ele granjeado no consenso geral dispensaria aquela minha apreciação, como porque se me liguei a Pierre Monbeig, foi precisamente atraído pelos seus invulgares dotes de homem da ciência que fazem tão fecunda a convivência com ele" (setembro de 1957).
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