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Entre os muitos trabalhos publicados a respeito da América Latina nos últimos 2 ou 3 anos, o livro de Rowe e Schelling particulariza-se pela capacidade de levantar questões concernentes à produção e apropriação da cultura popular durante a evolução política e econômica resultante da homogeneização inserida no ideário nacionalizante, como também formas de resistência a este mesmo processo.Esta obra não se pretende específica.Ao contrário, é um livro abrangente -passa pela "guerra do deserto", na Argentina de 1879, pela revolução mexicana de 1910, por Getúlio, Peron e Haya de la Torre, pela música andina, Super Barrio, as mães da Praça de Maio, samba, cordel e telenovelas; já nos "agradecimentos", encontram-se os nomes de Octavio lanni, Jan Rocha (correspondente do diário inglês "The Guardian" no Brasil) e Padre Ticão.Memory and Modernity trabalha com temas, sendo o mais importante o da inserção da modernidade nos meios de produção e reprodução cultural latino-americanos.O livro parte da inviabilidade da idéia de uma acumulação contínua de tradições populares; pelo contrário, estas tradições obedeceriam a formas de acúmulo e formação muito particulares, sendo melhor tentar caracterizá-las através de seus cortes e continuidades.O termo 'modernização", quando aplicado à América Latina, tem um caráter muito mais abrangente que o tecnológico: ele está ligado à formação do Estado-nação, o que o particulariza, tornando-o distinto daquele aceito para a Europa, por exemplo.Aceitos os princípios da descontinuidade evolutiva e da particularidade, a cultura popular torna-se "um veículo privilegiado, através do qual este caleidoscópio de múltiplas realidades, rural e urbana, pré-moderna e moderna, local e não-local podem ser satisfatoriamente estudadas" (p.45).
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