Nas últimas décadas, na área dos estudos afro-americanos, vem ganhando centralidade o debate sobre o chamado processo de crioulização.Diversas teorias foram elaboradas para interpretar os fenômenos de hibridação étnica e cultural que resultaram do encontro de variados grupos africanos e europeus, mas, de modo geral, o debate surgiu e se desenvolveu a partir da análise das sociedades escravistas do Caribe e do Sul dos Estados Unidos.Posteriormente, a atenção se deslocou para a África enquanto espaço original da crioulização.Os estudos afro-brasileiros, desde Nina Rodrigues, passando por Roger Bastide, até os trabalhos mais recentes de alguns historiadores, também têm se debruçado sobre as transformações das culturas e etnias africanas no Brasil.1 Porém, com exceção de * Este ensaio apresenta resultados parciais do projeto de pesquisa intitulado "O processo de crioulização: antecedentes históricos da identidade negra na Bahia", desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal da Bahia, e financiado por uma bolsa de Desenvolvimento Científico Regional do CNPq.Agradeço aos membros da linha de pesquisa "Escravidão e Invenção da Liberdade", do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal da Bahia (UFBA), e aos pareceristas de Afro-Ásia, pelos comentários e sugestões sobre uma versão preliminar do texto.
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