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13 (2): 467-480 E mbora digam praticar uma disciplina agora delibe radamente virada para a contemporaneidade, continua a ser algo raro ver antropólogos participarem em debates cidadãos na sua qualidade de cientistas sociais.A presença da disciplina na esfera pública é muito variável consoante os países e os momentos.Em Portugal, a sua imagem pública (para quem tem uma) continua a evocar em exclusivo o universo rural ou mundos exóticos, "tribos" e "tradições", "crenças" e "artesanato"… Há uma certa ironia no facto de ter sido em relação a um objecto ligado a parte desta nebulosa, o Museu de Arte Popular (MAP), que vários antropólogos portugueses deram recentemente a cara, mesmo se alguns deles (João Leal, Vera Marques Alves e Sónia Vespeira de Almeida) mostram precisamente que o passadismo associado ao MAP tem de ser reavaliado.E deve ser por ter dirigido um estudo sobre os lenços de namorados, objectos que foram aproveitados com criatividade pelos defensores do MAP, que fui solicitado várias vezes para participar no protesto contra a decisão do governo (apresentada nos artigos seguintes).Acontece que a minha posição era muito mais matizada.Claro, num mundo perfeito, seria possível musealizar o MAP como testemunho de um momento cultural marcante do século XX em Portugal.Ou talvez não.Num mundo perfeito o Estado Novo nunca teria existido e, portanto, o MAP também não.Mais seriamente, será que uma tal metamusealização historicista, cujo interesse documental não se discute no absoluto, faz sentido no contexto económico, cultural e museológico actual (Paulo Ferreira da Costa)?(O interesse, no mesmo contexto, de um museu Mar da Língua Portuguesa destinado a substituir o MAP é outro assunto que importa discutir independentemente.)
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