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O artigo tem como objetivo refletir sobre as possíveis contribuições teórico-metodológicas das ciências sociais para as pesquisas na área da saúde, dada a crescente incorporação de metodologias qualitativas, em especial do método etnográfico, nessas pesquisas. O ponto de partida dessa reflexão são três pressupostos teórico-conceituais fundamentais à consolidação do método etnográfico em sua origem, concomitantemente à própria afirmação da ciência antropológica, entendendo que na compreensão do que seja a prática etnográfica, também se compreenda a importância da análise antropológica na explicação dos diferentes fenômenos socioculturais, dentre eles a saúde, o adoecimento e as estratégias de tratamento ou de cura. Esses pressupostos - etnocentrismo, relativismo e cultura - marcaram de tal forma a pesquisa e a produção de conhecimento antropológicos, que método e teoria se tornaram indissociáveis. Pensar na possibilidade de reiteração e reposição constante dessa indissociabilidade, em um movimento dialético da experiência concreta com as teorias apreendidas, pode ser uma das principais contribuições das ciências sociais, em particular da antropologia, para as pesquisas na área da saúde. A ausência dessa reflexão parece colocar em risco o compromisso dessa possível interface com o rigor teórico-metodológico na produção e divulgação do conhecimento científico, pela redução e simplificação do método à técnica. Por outro lado, essa mesma indissociabilidade leva-nos a indagar sobre as possíveis contribuições da incorporação do método etnográfico em pesquisas na área da saúde ao conhecimento antropológico.
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