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Os itens lexicais das linguas sinalizadas, tradicionalmente chamados de sinais, se caracterizam como sendo feitos com uma ou duas maos. Por essa diferenca articulatoria ser usada contrastivamente nessas linguas, Klima e Bellugi (1979) propuseram a inclusao do numero de maos no conjunto de parâmetros sublexicais empregados na analise fonologica dos sinais. Neste trabalho, realiza-se um estudo desse parâmetro na producao de sinais da lingua brasileira de sinais (libras) com foco tanto em casos nos quais sinais tipicamente articulados com uma mao sao produzidos com duas (duplicacao), quanto em casos em que sinais normalmente realizados com duas maos sao feitos com apenas uma (unificacao) (JOHNSTON; SCHEMBRI, 1999). Alem disso, analisam-se casos em que a mudanca no numero de maos (de uma para duas) tem efeito sobre o significado do sinal ? nao se caracterizando, portanto, como variacao ?, bem como casos em que a realizacao com uma ou duas maos de certos sinais nao altera o seu significado, constituindo, assim, variantes destes. Um dos achados deste estudo diz respeito a nao-identificacao de pares minimos em que o unico elemento de contraste lexical e o numero de maos. Em todos os casos levantados, a diferenca no numero de maos nos sinais do par esta sempre associada a diferencas em pelo menos um outro parâmetro fonologico do sinal (sua localizacao, seu movimento ou sua marcacao nao-manual). Dentre os casos em que a mudanca no numero de maos altera o significado do sinal, inclui-se a expressao de intensidade, uma vez que se observa na libras a realizacao, com duas maos, de sinais tipicamente articulados com uma mao quando estes tem seu significado intensificado. Os resultados do experimento realizado para eliciar formas intensificadas sugerem, no entanto, que esse processo e opcional na libras, pois sua ocorrencia so foi atestada nas producoes de seis dos 12 participantes do estudo e variou em relacao a sua frequencia e ao sinal ao qual estes o aplicaram. Este trabalho tambem evidenciou a ocorrencia de variacao livre no parâmetro numero de maos, bem como de variacao motivada por fatores extra-linguisticos e pelo contexto fonetico-fonologico. Em relacao a variacao livre, observou-se que os sinais que sofrem essa variacao nao formam uma classe homogenea: ha casos em que a variante de uma mao e predominante e outros em que a de duas e mais frequente. Pelo menos para alguns dos sinais equilibrados (realizados com as duas maos em movimento), parece haver uma correlacao entre a variante predominante e a sua localizacao. Predomina a variante de uma mao para sinais equilibrados feitos na face e a de duas para sinais desse mesmo tipo feitos abaixo do pescoco, tendencia ja observada na lingua de sinais americana (FRISHBERG, 1975). Ja em relacao a variacao motivada por fatores extra-linguisticos, viu-se que a realizacao de sinais tipicamente feitos com duas maos em situacoes em que uma delas esta indisponivel nao equivale simplesmente a sua articulacao com uma mao. Ha casos em que outras estrategias sao empregadas, tais como a substituicao por um sinal sinonimo ou a mudanca em sua localizacao, nos casos em que esta corresponde a uma regiao na mao indisponivel. Por fim, em relacao a variacao motivada pelo contexto fonetico-fonologico (coarticulacao), observou-se que o numero de maos do sinal precedente ou seguinte pode explicar a realizacao com uma ou duas maos de certos sinais. Entretanto, viu-se tambem que os sujeitos variam tanto em relacao a sensibilidade que exibem ao contexto fonetico-fonologico e a taxa de sinalizacao, quanto no que diz respeito ao(s) sinal(is) ao(s) qual(is) aplicam o processo. Abstract
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