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Definindo-se um “siciliano europeu”, Gesualdo Bufalino, em sua obra literária e poética (especialmente em L’amaro miele e Museo d’ombre) assim como em seus inúmeros artigos jornalísticos e intervenções críticas reunidos em volume (Cere perse, La luce e il lutto), elabora sonoridades e significados que tentam devolver as nuances cromáticas e a imagem em formato de mosaico de uma Sicília que não é apenas “metáfora” - como Leonardo Sciascia escreveu – de uma civilização mediterrânea em contínua transformação, mas também um espaço em que, por meio do dispositivo da memória, é possível revisitar um patrimônio histórico e cultural, material e imaterial, capaz de se afirmar como principio identitário em constante evolução. Nessa perspectiva, o espaço insular siciliano se torna uma fonte inesgotável de representações e autorrepresentações nas quais Bufalino desenvolve uma poética personalíssima e um imaginário que devolvem à Sicília sua vocação natural de “ilha-ponte” e de “ilha-plural” desde sempre influenciada pelo racionalismo europeu e por uma espécie de magismo mítico que sopra com força das margens sulistas do mare nostrum
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