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Este artigo baseia-se em pesquisa sobre representações visuais de seres aquáticos e sua capacidade de articular relacionamentos humano-ambientais. Seres aquáticos (como serpentes arco-íris e taniwhas) são relevantes em muitas cosmologias culturais diferentes, mais particularmente aquelas que se orientam no sentido de “religiões da natureza”, nas quais as paisagens terrestres e aquáticas são vistas como animadas por seres sensíveis. As análises destas imagens visuais, e suas transformações ao longo do tempo, sugerem que, como reflexo de crenças cosmológicas e valores, elas podem iluminar o passado e fornecer insights úteis para mudanças fundamentais nas relações humanas com a água. Como representações das visões de mundo de grupos particulares, elas também têm uma função vital nos debates contemporâneos sobre gestão ambiental, propriedade e controle dos recursos hídricos. Baseando-se em exemplos da Austrália e Nova Zelândia, este artigo considera, portanto, o papel das imagens como indicadores temporais de mudança e como representações simbólicas de cosmologias subalternas em sociedades pós-coloniais. Examina também as implicações potenciais da pesquisa para a teoria e o método em antropologia visual. Ao manter uma abordagem etnograficamente situada objetiva, demonstra que as transformações nas relações humanas com a água, expressas através de imagens visuais de seres aquáticos, continuam a dirigir os conflitos contemporâneos sobre a propriedade da água, sua gestão e utilização.
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