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ENSAIO SOBRE CEGUEIRAS 1 : CRUZAMENTOS INTERSECIONAIS E (IN)VISIBILIDADES NOS MEDIATinha estado com os olhos abertos sempre, como se por eles é que a visão tivesse de entrar, e não renascer de dentro, de repente disse, Parece -me que estou a ver, era melhor ser prudente, nem todos os casos são iguais, costuma -se até dizer que não há cegueiras, mas cegos, quando a experiencia dos tempos não tem feito outra coisa que dizer -nos que não há cegos, mas cegueiras […] Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem (Saramago 2016, 342 -44). 1 A intersecionalidade oferece inúmeras oportunidades para interrogar os nossos próprios pontos cegos e transformá -los em recursos analíticos para uma mais profunda análise crítica (K.Davis 2008, 77). 2 A atualidade não se pode dissociar de vivências multideterminadas e sempre presentes.Quer sejamos atravessadas/os por privilégios ou opressões, e sobretudo por ambas, nos mais variados contextos, é impossível minimizar o impacto que estes têm na sedimentação ou desconstrução das relações de poder, na nossa subjetividade e experiências diárias.
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