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No presente Editorial, venho em primeiro lugar manifestar o meu enorme entusiasmo pela publicação em 2017 do terceiro fascículo do volume 16 da revista Avaliação Psicológica, que reúne um conjunto de artigos cujo contributo é de enorme relevância para o uso de diferentes instrumentos de avaliação em diversos contextos de intervenção psicológica, tanto ao nível metodológico como ao nível prático.Em segundo lugar, pretendo retomar a temática abordada por Hauck-Filho (2015) no Editorial do segundo fascículo do volume 14 também publicado na revista Avaliação Psicológica, reforçando a sua importância na prática da avaliação psicológica no geral e em alguns contextos em particular (e.g., clínico, forense, organizacional): o enviesamento de respostas, com especial enfoque na desejabilidade social, por ser esta a sua manifestação mais frequente.Genericamente, o enviesamento de respostas pode ser definido como uma tendência sistemática de alguns sujeitos para responderem aos itens dos instrumentos de uma forma que não é coerente com o conteúdo específico do item nem com o constructo que ele pretende medir.Os enviesamentos de respostas, que dependem das características pessoais, das características dos instrumentos de avaliação utilizados, e dos contextos em que estes são aplicados, são particularmente evidentes quando os sujeitos se reportam aos seus traços de personalidade, atitudes pessoais e comportamentos (Paulhus, 1991;Wetzel, Böhnke, & Brown, 2016).Estes enviesamentos podem circunscrever-se ao contexto (response set), quando a situação de avaliação tem uma consequência direta na vida do sujeito (em contextos de avaliação de elevado risco, high-stakes assessment contexts; e.g., seleção e recrutamento, fase de inquérito num processo penal), ou podem manifestar-se por meio de padrões ou estilos de resposta (response styles) que são consistentes ao longo do tempo e das situações, como um traço de personalidade (Eysenck & Eysenck, 1976;Jackson & Messick, 1958;Uziel, 2010Uziel, , 2014)).A desejabilidade social, que consiste num dos tipos de enviesamento de respostas, pode ser classicamente definida como uma tendência presente nos sujeitos para atribuírem a si próprios atitudes ou comportamentos com valores socialmente desejáveis e para rejeitarem em si mesmos a presença de atitudes ou comportamentos com valores socialmente indesejáveis, quando respondem aos questionários de personalidade e às escalas de atitudes (também referida como enviesamento de resposta positivo; fake good, fingir-se bom).Neste sentido, em função do contexto e/ ou das caraterísticas da personalidade (traços de personalidade), alguns sujeitos tendem a responder aos itens dos instrumentos de acordo com o que consideram ser o mais correto, aceitável ou desejável, de modo a satisfazerem a sua necessidade de aprovação social e a manifestarem comportamentos condizentes com as normas e os valores da cultura vigente (modelos de Edwards, Marlowe-Crowne; ver Crowne & Marlowe, 1960;Edwards, 1957;Marlowe & Crowne, 1961).Por seu turno, Paulhus (1984) propôs um modelo mais compreensivo das respostas socialmente desejáveis constituído por dois componentes: a gestão da impressão (impression management), que é consciente e intencionalmente utilizada pelo sujeito para criar uma imagem social positiva e evitar a desaprovação por parte dos outros [que envolve fake good, defensividade, dissimulação, e que corresponde ao conceito clássico de desejabilidade social e de mentira nos instrumentos de personalidade], e o autoengano (self-deception), que não é intencional e que se baseia nas motivações inconscientes e nas características intrínsecas da personalidade relacionadas com autoestima, otimismo, ajustamento e autoeficácia, através das quais é produzido um enviesamento (positivo) nas respostas do sujeito por meio da valorização das suas qualidades individuais positivas (self-deceptive enhancement) e da negação das suas características individuais negativas (self-deceptive denial) (ver Dodaj, 2012;Paulhus, 2002).Neste plano, e considerando igualmente o conceito mais clássico, o padrão de desejabilidade social é dependente do contexto (e.g., clínico, forense, organizacional) e manifesta-se quando: o sujeito dissimula deliberadamente, com a intenção de induzir o examinador em erro; o sujeito responde de acordo com o seu autoconceito ideal e não em função da sua autoavaliação; o sujeito é honesto a responder, mas realiza uma autoavaliação desadequada ou imprecisa; ou o sujeito é genuinamente conformista em relação às regras sociais.
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