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Pode a arqueologia produzir conhecimento sobre gênero(s) que não mantenha pessoas trans na condição de anomalia? Tendo em vista o incrível e permanente silêncio na ampla literatura arqueológica no que concernem as existências e corpos fora de binarismos macho/fêmea e homem/mulher, este trabalho aponta para a necessidade de construirmos uma crítica queer no âmbito da produção de conhecimento da arqueologia que transcenda esses binarismos modernos ocidentais. A partir de uma investigação da literatura arqueológica, procura-se enxergar as formas com as quais o tema da não-binariedade de sexo e de gênero tem sido tratado, bem como pretende-se dar visibilidade a caminhos alternativos sendo traçados. O olhar trans proposto nesta reflexão afirma-se enquanto esforço que visa fortalecer uma arqueologia queer brasileira disposta a distanciar-se de discursos hegemônicos sobre o que constitui a normalidade.
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