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Pedro Bandeira APRESENTAÇÃO Este livro nasce do encontro de três pessoas encantadas pela Educação Infantil, pelas infâncias e, principalmente, pelas crianças.Nosso encontro proporcionou que pudéssemos estudar mais sobre as infâncias, crescer como pesquisadores e ampliar nosso campo de visão sobre as maneiras pelas quais podemos ousar compreender este universo com nosso olhar adulto.Por meio da organização desse livro, pudemos também estabelecer diálogos com outras pesquisadoras e pesquisadores dos quais não teríamos chance de conhecer as concepções, as pesquisas e os entendimentos sobre as infâncias.Dessa forma, agradecemos a todas e todos que contribuíram para esta obra, que temos o orgulho de apresentar 1 .O campo das infâncias vem se constituindo como um espaço transdisciplinar que busca entender as complexidades das crianças e das múltiplas infâncias.Esta obra reúne pesquisas que abordam diferentes perspectivas, olhares, percepções sobre temas relacionados à Educação Infantil, criança(s) e infância(s) e suas interrelações com outras áreas do conhecimento.Este olhar interdisciplinar em torno da infância designa uma multiplicidade de dimensões, como o campo demográfico que envolve os contextos, a cultura, as políticas e a ordem econômica, a dimensão conceitual da própria criança, que entra no campo psicológico, antropológico e sócio-antropológico.A criança é sujeito de direito, é partícipe do processo pelo qual ela se descobre e descobre o mundo, imagina, interpreta, intencionaliza, cria e transforma a natureza, sendo a educação infantil o espaço que contribui com a formação humana emancipadora.Apesar de a criança sempre ter existido e feito parte da sociedade, isso não quer dizer que a infância esteve presente como é concebida nos dias atuais. 1 O conteúdo dos capítulos publicados, expressam o posicionamento de uma temática e são de inteira responsabilidade dos respectivos autores.O reconhecimento de que ser criança é sujeito de direito e partícipe da vida e do mundo, que relaciona-se com o outro, o mundo e consigo mesma, que se diferencia do adulto, foi historicamente construído.Assim, a infância atualmente é noção plural e social que envolve as diversas condições: características biopsicossociais, biopsíquicas da idade, classe socioeconômica, o gênero, a etnia, a cultura, as inovações tecnológicas, implicam em compreender a sua singularidade e diferenças, em espaços e tempos.A história da criança e da infância tem sido sempre a história da marginalização (econômica, cultural, social e educativa), sendo que as crianças precisaram viver em um mundo que não era o seu, que não estava feito à sua medida, precisavam se integrar no mundo adulto.O que foi dado à infância sempre foi "dado" como fruto derivado de maior ou menor sensibilidade adulta, não como algo que lhe fosse de direito.Atualmente a criança vem lutando e conquistando espaço, e exige seus direitos de ser cuidada e educada em condições que garantam alcançar seu pleno desenvolvimento pessoal e o maior direito de "ser criança".A criança é vista como sujeito ativo na vida social, que vivencia a infância como categoria social, implicando na constituição do olhar interdisciplinar para os traços peculiares em que as crianças são produtoras de sua própria cultura.A criança sujeito social significa o mundo, seu diálogo com os elementos culturais, construindo e apropriando-se da lógica infantil e desenvolvendo-se biopsicossocial.A sociedade está despertando para o fato de que "a infância é para sempre", isto é, o sujeito carrega consigo pela experiência de vida humana os traços desenvolvidos na infância constituindo seu "EU".É na infância que ocorrem os processos de formação da atenção, da memória, da percepção, da imaginação e da criatividade, os signos, o pensamento e a linguagem, o comportamento, que se desenvolvem no processo de interação social, em que a criança busca compreender e fazer parte do mundo.Este é o nosso convite para conhecer diferentes olhares, perspectivas, percepções e análises a respeito da criança e da infância.O livro se divide em três eixos -formação, práticas e políticas -em que se encontram organizados estruturalmente os nove capítulos.No eixo de formação estão incluídos textos em que as autoras e os autores debruçam-se sobre a formação docente inicial e a continuada, apontando para reflexões a respeito do desenvolvimento infantil, do conceito múltiplo de infâncias, da inclusão e da manualística.Já no segundo eixo, que aborda as práticas, são apresentados os capítulos que têm sua origem em pesquisas que impactam no cotidiano das professoras e dos professores na Educação Infantil.Por fim, o terceiro eixo trata das políticas, especialmente a Base Nacional Comum Curricular e as questões vinculadas ao abandono parental.O capítulo que inicia as discussões sobre o eixo de formação é denominado "O ensino da arte e o desenvolvimento infantil" de autoria de Andréia Bulaty, vinculada à Universidade Estadual do Paraná, que tem como objetivo apresentar o processo do ensino da Arte como uma contribuição para a formação da criança na Educação Infantil, e não ao contrário, de pensar a Arte como um passatempo, do brincar pelo simples brincar.O texto fundamenta que a Arte é um campo do conhecimento, que desperta e é canal de expressão da criança, dos sentimentos, dos sentidos, da imaginação criativa, da oralidade, da compreensão dos signos, da poiésis e da poética, da relação consigo mesma, com o outro e com o mundo, do desenvolvimento do próprio modo de ver, estar e dar sentido ao mundo, desenvolver estratégias para resolver problemas, permitindo o avanço na autonomia, no respeito e cuidado a si e ao outro, na emancipação humana, enfim, no desenvolvimento das funções psicológicas superiores infantil.A pesquisa contribui com a obra para pensar a arte no processo de formação e no desenvolvimento infantil.No texto intitulado "As crianças, a Educação Infantil e as práticas pedagógicas: uma abordagem de formação de professores", as autoras Daiana Camargo, Stephany Alves Collares e Marilúcia Antônia de Resende Peroza, todas ligadas à Universidade Estadual de Ponta Grossa, discutem as relações entre educar e cuidar na prática pedagógica diária da escola de Educação Infantil, abordando o tema da formação inicial de professores no curso de Pedagogia.As autoras compartilham reflexões sobre uma proposta de extensão universitária voltada a escutas e olhares na exibição de materiais audiovisuais, em experiências de construção de materiais, em vivências práticas e discussões teóricas, procurando examinar as diferentes infâncias que se evidenciam a partir destas investigações.No capítulo "Implicações pedagógicas para uma educação inclusiva na educação Infantil", o autor Marcelo Oliveira da Silva, da Universidade Federal de Pelotas, busca, a partir de perguntas, desvelar algumas implicações práticas para que a Educação Infantil seja um espaço ainda mais inclusivo.O texto fundamenta-se na concepção de que as crianças não se comportam de forma excludente, mas que esse traço é apreendido socialmente.Nesse sentido, conviver, brincar e ter amigos com deficiência é imperioso para uma formação de sujeitos mais abertos às diferenças e, portanto, uma sociedade mais justa, igualitária e equitativa.Cada vez mais é importante discutirmos a formação docente com vias a uma educação inclusiva.Finalizando o primeiro eixo, os autores Ana Caroline Barbosa Massambani Karam e Guilherme Gabriel Ballande Romanelli, ambos vinculados à Universidade Federal do Paraná, discutem dados obtidos a partir de uma pesquisa de campo com professoras que atuam com Educação Infantil na rede pública de ensino.No capítulo intitulado "Música, livros didáticos e formação docente: uma percepção de professoras da educação infantil da rede pública de ensino", abordam o tema dos materiais didáticos ligados
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