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RESUMO Este artigo procura pensar a chamada “virada infraestrutural” nos estudos urbanos ao longo das últimas duas décadas a partir das teorias e das temporalidades da urbanização das cidades brasileiras. Nosso objetivo é apresentar ao debate internacional sobre a provisão de infraestruturas urbanas uma visão panorâmica de discussões teóricas produzidas no Brasil, a partir de pesquisas etnográficas que há cinquenta anos tematizam a produção cotidiana das cidades. Na primeira parte, retomamos as primeiras etnografias feitas sobre favelas cariocas, no final dos anos 1960, destacando as relações intelectuais entre pesquisadores e a atenção dada às casas e aos serviços urbanos. Na seção seguinte, trazemos para o debate a figura das agentes comunitárias de políticas de habitação social. Como conclusão, a partir das agentes comunitárias, dialogamos com a proposta de AbdouMaliq Simone de pensar “pessoas como infraestruturas”. Técnica e política, trabalho e militância, documentos e materialidades se articulam nos diagnósticos sociais, de modo que as fronteiras entre Estado, mercado e movimentos sociais urbanos se borram.
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