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As narrativas produzidas sobre e por estudantes que recebem o diagnóstico de transtornos de aprendizagem ou de comportamento e o estigma subjacente ao mesmo podem apresentar impactos para o desenvolvimento de dimensões psicológicas destes estudantes, por exemplo, do autoconceito. Este estudo tem como objetivo investigar se os diagnósticos de transtornos de aprendizagem têm algum efeito na construção do autoconceito e da percepção de \"si-mesmo\". Foram realizadas entrevistas com oito alunos do sexo masculino de uma escola pública de São Paulo, com idades entre 11 e 13 anos, diagnosticadas com transtornos de aprendizagem ou comportamentais. Também foram conduzidas entrevistas com os responsáveis legais dos alunos e com a coordenação pedagógica da escola sobre esses alunos. Foi aplicada a Escala de Autoestima e Autoconceito para pré-adolescentes (EAAPA). A análise das entrevistas seguiu a perspectiva da construção narrativa da realidade de Jerome Bruner. Os participantes apresentaram resultados abaixo da média nas dimensões do autoconceito acadêmico e do autoconceito não acadêmico. As narrativas produzidas pelos participantes, seus responsáveis legais e pela coordenação pedagógica da escola estavam em consonância com a hipótese de estigmatização desses estudantes e corroboraram com os resultados obtidos na EAAPA. Conclui-se que o estudo da construção do autoconceito por meio da narrativa como proposta por Jerome Bruner constitui uma ferramenta com grande potencial para produção de futuras pesquisas, e que novos estudos podem se beneficiar desta abordagem para a investigação e formulação de estratégias para a construção de um autoconceito positivo.
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