Nos últimos anos as relações entre estética, arte e antropologia voltaram a ser assunto de acalorado debate. Ninguém expressou melhor, em vida e obra, a relação ambígua existente, desde a origem, entre a antropologia e a arte moderna. Se Marcus e Myers chamam a atenção para suas semelhanças, ambas se caracterizam pela vocação e por seu fascínio pela alteridade, Gell afirma categoricamente que a antropologia social moderna é “essencialmente, constitucionalmente, anti-arte”. Por esta razão, ainda segundo Gell, o objetivo da antropologia da arte deveria ser sua dissolução. Argumento similar foi sustentado por Overing e Gowm em debate sobre a viabilidade trans-cultural do conceito de ‘estética’. Mais tarde Gell proporá, na última obra de sua vida – Art and Agency, uma saída para este dilema. Minha intenção neste paper é de refletir tanto sobre o atual interesse teórico desta ambigüidade expressa, como sobre a possível saída do dilema proposto por Gell.
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