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Neste livro busco introduzir uma reflexão sobre as articulações entre o tema da violência e suas repercussões na saúde dos brasileiros.Trabalho em três vertentes: a primeira, no campo sociológico de conceituação da violência; a segunda, na articulação entre violência e saúde; a terceira nas propostas de atuação.Por mais que tentasse, não foi possível oferecer ao leitor uma visão muito simplificada da questão, uma vez que o tema é complexo, polissêmico e controverso.Busquei, então, um texto claro e fácil de ser compreendido por qualquer pessoa que, como eu, tem perguntas e busca respostas para este fenômeno.Confesso que, depois de mais 17 anos pesquisando e estudando, continuo sem entender muitos de seus aspectos e tenho mais dúvidas que certezas sobre as manifestações da violência.Portanto, advirto a quem me acompanhar nesta leitura, que minha exposição contém idéias, conceitos, classificações e interpretações passíveis de serem refutadas por outros estudiosos, sem que nem eu nem eles tenhamos condições de nos colocar como portadores da verdade sobre o tema.Para realizar este trabalho, iniciei com uma discussão mais ampla que abrange aspectos históricos, culturais, sociológicos e até econômicos, uma vez que, em suas relações, a violência se apresenta ora como manifestação da dinâmica e da trajetória de O Claves, do qual desde a origem sou a coordenadora científica, é um dos exemplos das iniciativas acadêmicas hoje existentes no país.Tem a vantagem de se constituir como equipe institucionalizada, o que garante a sua continuidade.O incremento da violência na realidade brasileira vem repercutindo intensamente no pensamento intelectual do país, sobretudo a partir da década de 1990.Estudos bibliográficos realizados por nós mostram que 95% da produção acadêmica sobre o tema ocorreram depois de 1980.O tema, no âmbito da reflexão em saúde pública, tem história, nomes e tradições que vêm desde os anos 70, concentrandose primeiramente na Faculdade de Saúde Pública de São Paulo (FSP/USP) e na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).A Fiocruz, até a criação do Claves, colaborava com poucos estudos, e os existentes tinham apenas um cunho epidemiológico descritivo e eram realizados com dados secundários.O fato de o Claves estar exclusivamente voltado para pesquisar este assunto dinamizou a produção institucional e foram abertos vários campos de pesquisa empírica, tornando-o o mais produtivo do país.Em que pesem os esforços dos pesquisadores e das instituições, a reflexão brasileira a respeito da violência social e do impacto da violência na saúde dos brasileiros é ainda incipiente.Os estudos se restringem quase sempre a diagnósticos de situações pontuais, e apenas nos últimos dez anos os resultados das investigações vêm sendo apropriados pelos serviços de saúde.
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