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Se "a etnografia é um projeto marcado pelo gênero" 1 , Marília Pinto de Carvalho mostra a veracidade desta frase através de uma pesquisa centrada numa categoria analítica distinta: o "cuidado".Pesquisando as práticas de "cuidado" entre adultos e crianças no interior da instituição escolar, a autora demonstra como o gênero marca o imaginário que regulamenta as práticas docentes.Nesse sentido, investigando o gênero no magistério, identifica-o como criado e transformado no ambiente de trabalho, num contexto de relações hierárquicas.O trabalho docente aparece como constituído pelo gênero e constituinte do gênero.Segundo Carvalho, a Educação tem sido palco de contrapontos entre masculinidade e feminilidade, razão e emoção, objetividade e subjetividade.E não necessariamente a razão e a objetividade estão articuladas ao masculino enquanto a emoção e a subjetividade estariam associadas ao feminino.Esse palco de confrontos situa todas essas categorias atravessadas tanto por feminilidades, quanto masculinidades.Ao mesmo tempo, contradições de raça e classe combinam-se nas identidades de gênero e se rearranjam para acomodar as tensões.
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