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pós-1.2. Sobre alguns paradigmas de intervençãoA relação entre a arquitetura moderna e as preocupações progressistas era direta, representando a arquitetura a expressão do progresso do ambiente.O título do excelente livro de Anatole Kopp (1990) demonstra esta afirmação funcionalista: "quando o moderno não era um estilo e sim uma causa".Passou-se de uma arquitetura reservada às realizações únicas e excepcionais à arquitetura aplicada às soluções das necessidades de novo cliente coletivo, constituído dos trabalhadores.No urbanismo, quando Ebenezer Howard define sua utopia da cidade jardim, fundamenta-a tanto sobre uma "ciência das necessidades" como sobre um projeto de reconstrução da comunidade.Desde então, a maioria dos planejadores urbanos e dos promotores de Estado do bem-estar social perseguiram um duplo objetivo: dar lugar a uma ordem espacial e social racional e construir uma cidadania moderna, na qual a população contribuiria, ela mesma, para sua melhoria e educação coletiva.Esse novo espaço seria habitado por nova sociedade.O paradigma que regia a intervenção no urbano ligava-se à planificação racional para o desenvolvimento.Após a Segunda Guerra, a doutrina keynesiana dominava a economia e as políticas macroeconômicas.Os estados nacionais regulavam o crescimento, regulamentavam, protegiam, financiavam.Em nome do interesse geral, as municipalidades planejavam e muitas vezes construíam.O paradigma da planificação racional definia os papéis do plano e medieval não contém distinção entre técnica e arte, seus produtos são julgados segundo um critério único de acabamento: a perfeição.O que é bom se distingue do belo e do verdadeiro porque o primeiro diz respeito ao intelecto e os outros dois à vontade.E a vontade se liga aos valores, não à lógica ou à ciência.Para Freud, na arte o princípio do prazer domina o princípio da realidade.Na arquitetura, isso não acontece.Na vontade criadora e na prefiguração da forma atua o código da utilidade, tanto ou mais que o do prazer.Creio ser melhor definir o desenho como uma prática, como aplicação de valores.Daí a necessidade de explicitar esses valores, tê-los claros, criticá-los e colocá-los a serviço da ética, não apenas da estética.Combinar o bom, o belo e o verdadeiro.Mesmo assim, deve ser lembrado que tanto a humilde casa da favela, sem projeto definido, construída para satisfazer a necessidade vital do abrigo, com material descartável, como a casa burguesa, construída por arquiteto, com matérias de primeira linha, podem ser compradas e/ou vendidas, ou seja, podem ser convertidas em mercadorias, independentemente de terem sido produzidas para uso do proprietário e não diretamente para troca.Assim, o projetista participa, como quadro técnico, na produção de objetos mercadoria, e não simplesmente na produção de objetos úteis ou objetos de arte.Função, forma e dimensão do objeto projetado inserem-se no mercado e são por ele também determinados.
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