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A partir da década de 1980, foi empreendido um processo de renovação historiográfica na História das Ciências no Brasil.Contrapondo-se à visão de que não teria existido produção científica no Brasil até o início do século XX, os autores representativos desta tendência passaram a considerar características particulares de exercício da atividade científica no país que não se enquadravam no modelo analítico até então utilizado.A novidade trazida por esses trabalhos foi uma mudança metodológica que, ao estabelecer uma interlocução com a história social, analisa as peculiaridades locais promovendo um esforço de contextualização da produção do conhecimento no Brasil.O processo de institucionalização das ciências foi então compreendido como um processo de implantação, desenvolvimento e consolidação de atividades científicas em um determinado espaço-tempo histórico.Dentre os trabalhos pioneiros nesse tipo de análise está O Brasil Descobre a Pesquisa Científica: Os Museus e as Ciências Naturais no Século XIX.Neste livro, representante da perspectiva analítica antes comentada, as instituições científicas, no caso, os museus, são percebidos enquanto locais nos quais as questões relativas ao conhecimento se entrelaçam às demandas políticosociais.Um traço característico dessa historiografia à qual o livro está filiado é destacar os lugares de produção do conhecimento como elementos importantes no processo de institucionalização da ciência no país, do qual participam também os interesses da "comunidade" científica, os do Estado e/ou de particulares, e o perfil aplicado ou básico das atividades desenvolvidas.Com mais de uma década de existência, foi lançada a segunda edição deste livro que se configura em um estudo acerca da institucionalização das ciências naturais no Brasil do século XIX.De acordo com a autora, esse foi um processo que recebeu especial abrigo nos Museus de História Natural.Nesse sentido, Lopes analisa a criação e os primeiros anos do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, do Museu Paraense Emílio Goeldi, do Museu Paulista, do Museu Paranaense e do Museu Botânico do Amazonas.A autora faz uma análise detalhada, apoiada em ampla documentação e bibliografia, das atividades científicas desenvolvidas nesses museus
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