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Este estudo realizou uma leitura qualitativa, fenomenológica-existencial, das respostas de conteúdo animal e humano fornecidas por 8 crianças vítimas de abuso sexual, submetidas aos estímulos das manchas do Psicodiagnóstico Rorschach. Buscou-se compreender como estas crianças percebem o humano em si e na convivência interpessoal; e detectar se havia danos psíquicos associados à capacidade de se relacionar interpessoalmente. Esta leitura revelou a necessidade de sintonizar a codificação destes conteúdos às experiências que estavam sendo comunicadas, o que nos motivou a propor um questionamento dos atuais códigos. Os resultados revelaram que a maioria das respostas do grupo (46%) se referiu à percepções de personagens agressivos e amedrontadores; personagens agredidos ou em situações de sofrimento físico ou psíquico representaram 30% das respostas; conteúdos que expressavam percepções positivas e construtivas dos personagens foram os menos freqüentes (24%); e 62% das crianças projetaram no teste a relação agressor-vítima. Concluiu-se que o humano e os relacionamentos são, em sua maioria, imbuídos de conotações negativas, relacionadas à violência e dor, confirmando a presença de dano psíquico; e que o Rorschach é capaz de estimular um discurso projetivo no qual o sujeito revela, simbolicamente, fatos reais de uma história de vida.
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