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A MÃE PRETA CONTA "CASOS ENGRAÇADOS" AOS MENINOS DO BRASIL PAPO DE ENGRAXATEMeu primeiro contato com a Língua do Negro da Costa se deu ainda na minha infância.Eu vivia em Bom Despacho, onde, como em toda pequena cidade do interior de Minas, tudo gira em torno da igreja matriz.À volta da igreja, os casais passeiam, os políticos conchavam, as crianças brincam, passam os enterros e as procissões, as comadres (e os compadres) comentam.Enfim, tudo acontece e de tudo se toma conhecimento na praça da matriz.Nessa praça, em Bom Despacho, em frente à porta principal da igreja, havia sempre alguns engraxates que, enquanto lustravam sapatos, conversavam numa língua ininteligível para os não-iniciados e que diziam de origem africana.Eram meninos pobres vindos da Tabatinga ou da Cruz do Monte -ruas da periferia da cidade cujos habitantes sempre foram tidos por marginais.De tanto passar por ali, a gente do centro da cidade acabava por aprender alguma coisa.Viriango 'soldado' e ingura 'dinheiro', significativamente, são as duas palavras que me ficaram na memória, daquela época.Lembro-me ainda de uma curiosidade relacionada com o caráter de código secreto atribuído à língua por seus falantes.O tio de um amigo meu, passando férias na cidade, interessou-se pela língua dos engraxates e lhes propôs a compra do seu "dicionário".
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